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Curso de Psicologia utiliza narrativas fílmicas para debater o Transtorno Dissociativo de Identidade (TDI) e as questões existenciais sobre a morte

19/11/2025 16h34
Noite de cinema foi um espaço de reflexão sobre a Condição Humana através do Cinema
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"Além de Pablo" e "A Dama do Estácio" foram exibidos para a comunidade acadêmica./ Crédito Imagem. Ana Paula Ribas Kemerich

O Curso de Psicologia da Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões (URI), Câmpus de Santiago, promoveu, na última terça-feira (18), uma atividade acadêmica do II Semestre com a exibição e debate de dois curtas-metragens nacionais: Além de Pablo” e “A Dama do Estácio. O evento, realizado no Auditório da Universidade, mostra como a Universidade preocupa-se  com a criação de espaços pluriculturais para a reflexão de temas complexos da condição humana.

 

O curta “Além de Pablo”, do diretor Ebner Gonçalves com duração de 21 minutos, constitui-se como um objeto de estudo rico para a psicologia clínica, ao mergulhar na vida de um homem de 42 anos em busca de ajuda psiquiátrica. A narrativa, ao distorcer progressivamente a realidade mental do protagonista, coloca em cena os conflitos internos personificados, oferecendo uma representação ficcional dos mecanismos de defesa e da fragmentação do ego.

 

O fio condutor do curta é o Transtorno Dissociativo de Identidade (TDI) de Pablo, e sua proposta central é a desmistificação do diagnóstico e a desconstrução do estigma social que cerca condições de saúde mental dessa natureza. A sessão foi seguida de um debate mediado pelas acadêmicas Giovana Lopes, Hemily Santos, Laura Bahú e Thainá Oliveira, sob a orientação da Profa. Ma. Rosângela Montagner, oportunidade em que se discutiram os aspectos clínicos da dissociação e as nuances da representação midiática de transtornos psicológicos.

 

No decorrer da noite foi exibido “A Dama do Estácio”, dirigido por Eduardo Ades. Em 22 minutos, o filme apresenta Zulmira, personagem cuja obsessão pela própria morte e pelos preparativos funerários levanta profundas questões existenciais. A trama, que aborda o tabu social em torno da finitude, serviu de catalisador para discussões sobre a senescência e os rituais de luto.

 

A curadoria e mediação desta sessão ficaram a cargo das acadêmicas Ana Girardi, Isabela Preto e Marisol Machado, também acompanhadas pela Profa. Rosângela Montagner. O debate foi enriquecido pela contribuição do Médico Dr. Evandro da Fonseca Almeida, docente do Curso de Fonoaudiologia da URI, que trouxe uma perspectiva sobre o envelhecimento e a conceituação da morte na sociedade contemporânea.

 

Em suas considerações, o Dr. Evandro destacou a fluidez e a riqueza do diálogo estabelecido.

 

- O debate foi muito fluído, eu aprendi muito com o pessoal. Conversamos e debatemos as implicações de como a nossa sociedade se organiza e encara questões e conceitos tão abstratos como a masculinidade, o envelhecimento e a morte. Refletimos sobre como podemos lidar e encontrar algum tipo de resistência, alguma forma de minimizar os sofrimentos que a nossa humanidade experiencia perante isso -,  complementou.

 

A seleção dos curtas-metragens pelo Curso de Psicologia da URI Santiago revela  a Universidade como um ambiente fértil para discussões qualificadas. Ao utilizar a linguagem cinematográfica como instrumento, a atividade  explorou de forma sensível e crítica, as múltiplas dimensões do ser humano e os complexos fenômenos da vida em sociedade.

 

Fonte: Ana Paula Kemerich - NUCOM
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