Santiago acaba de conquistar um marco importante na formação em saúde e na articulação ensino-serviço-comunidade: a seleção oficial da Vivência VER-SUS para o período de 08 a 13 de fevereiro de 2026, conforme resultado divulgado pela Associação Rede Unida em 09 de dezembro de 2025.
A aprovação coloca o município no mapa nacional das experiências formativas do SUS em 2026, mas, sobretudo, evidencia a potência da articulação acadêmica realizada pela Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões (URI) Câmpus de Santiago, instituição que assumiu papel central na mobilização, planejamento, escrita e consolidação do projeto.
Articulação acadêmica: força motriz do projeto
Embora o edital tenha sido lançado apenas em 15 de outubro de 2025, o processo local teve início antes mesmo da publicação, originado em debates internos do curso de Fonoaudiologia da URI, que discutia caminhos de aproximação entre formação crítica, integração ensino-serviço e experiências de educação pelo trabalho.
A partir dessa mobilização inicial, a URI articulou um esforço intersetorial e interinstitucional envolvendo:
Participação ativa de estudantes da URI e de outras instituições, entre eles:
Essa rede acadêmica foi determinante para construir uma vivência com forte ênfase pedagógica, baseada na educação popular em saúde, na problematização dos territórios e na reflexão crítica sobre o SUS.
A coordenação geral local ficou sob responsabilidade do professor Evandro da Fonseca Almeida, docente de Fonoaudiologia da URI, que liderou a construção, organização dos documentos e articulação entre as equipes.
Engajamento institucional da URI e parceria com o Polo Tecnológico
O projeto contou com o apoio integral da direção da URI Santiago, na figura do Diretor Geral Júlio Cesar Wincher Soares e do Diretor Acadêmico Izaque Ribeiro, que reconheceram a importância estratégica da vivência para o fortalecimento da formação superior no município.
No eixo de inovação e tecnologia aplicada à educação, a proposta também recebeu suporte fundamental do Polo de Modernização Tecnológica do Vale do Jaguari, representado pelo gestor Higor Machado e pela professora Rosângela Montagner, contribuindo com qualificações, revisão de materiais, estruturação de informações e suporte institucional.
Essa participação reforça o caráter transversal da URI, unindo tecnologia, saúde, educação e gestão acadêmica.
Parcerias externas que qualificaram o projeto
Também ocorreram intensas articulações com a Secretaria Municipal de Saúde de Santiago, representada pela secretária Silvana Oliveira, pela gestora da Atenção Básica Cristiane Müller dos Santos Bolzan, e pela importante participação do gestor municipal Marcelo Gorski de Matos, além de outros profissionais da administração pública municipal.
A SMS colaborou bastante na elaboração da proposta e na abertura dos serviços de saúde para receber as atividades da vivência.
Sobre a Rede Unida, a OPAS e o papel nacional da vivência
Convém destacar que a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), fundada em 1902 e vinculada à Organização Mundial da Saúde (OMS), a principal autoridade em saúde pública das Américas, atua através de apoio a governos na formulação de políticas, fortalecer sistemas de vigilância epidemiológica, promover formação profissional e difundir estratégias que ampliem a qualidade de vida e a defesa da saúde como direito. Trata-se da organização internacional de saúde pública mais antiga do mundo, com forte tradição na indução de políticas formativas e de fortalecimento dos sistemas nacionais de saúde.
Além disso, a Associação Rede Unida, parceira executora do VER-SUS, é uma entidade internacional que articula universidades, serviços de saúde, movimentos sociais e coletivos de diferentes países. Seu propósito central é contribuir para a construção de sistemas públicos de saúde comprometidos com a universalização, a equidade, a participação social e o respeito à diversidade. A Rede Unida desenvolve programas, pesquisas, produção científica e iniciativas formativas que aproximam ensino, serviço, gestão e comunidade, valorizando práticas multiprofissionais, a educação crítica e a defesa da democracia.
Dessa forma, a relação entre a OPAS e a Rede Unida se expressa na cooperação direta que fortalece a formação em saúde no Brasil e na América Latina. A OPAS apoia iniciativas estratégicas de qualificação profissional e inovação pedagógica, enquanto a Rede Unida executa programas como o VER-SUS, ampliando o alcance dessas ações nos territórios. Essa parceria integra esforços internacionais e nacionais para formar profissionais capazes de compreender contextos reais, analisar cenários complexos e atuar de forma ética e transformadora no sistema público de saúde.
Nesse contexto, a participação da URI nesta edição do VER-SUS assume relevância acadêmica e institucional. Ao integrar-se a uma iniciativa articulada entre Rede Unida, Ministério da Saúde, OPAS e instituições de referência nacional e internacional, a URI fortalece sua inserção acadêmica, sua responsabilidade social e sua vocação formativa no campo da Saúde. Esse vínculo é fundamental para evidenciar que a universidade participa ativamente de movimentos nacionais e internacionais de inovação na formação em saúde, ultrapassando práticas tradicionais e colocando estudantes, docentes e territórios como protagonistas da aprendizagem.
Como nasceu a ideia
A concepção da vivência em Santiago não surgiu de forma repentina. Ela foi sendo construída dentro dos debates do curso de Fonoaudiologia da URI, que vinha discutindo novos formatos de inserção de estudantes nos territórios e estratégias para fortalecer a aproximação com a realidade dos serviços públicos de saúde. Esses diálogos estimularam reflexões sobre o papel da formação superior, a responsabilidade social da universidade e a necessidade de vivências mais integradas com o SUS.
Desses encontros emergiram a motivação para inscrever Santiago no edital, o reconhecimento da importância da educação pelo trabalho e a compreensão de que o VER-SUS pode fortalecer a identidade formativa da instituição. A proposta começou pequena, como uma ideia discutida entre docentes, mas rapidamente ganhou proporção ao envolver diferentes cursos, setores e parceiros.
Com o envolvimento coletivo, o projeto cresceu, amadureceu e transformou-se em uma proposta robusta, interdisciplinar e interinstitucional. Essa construção colaborativa deu identidade própria à vivência, articulando ensino, serviço e comunidade, dimensões fundamentais para a formação em saúde comprometida com o SUS.
A seleção oficial da vivência de Santiago representa um marco para a região e reafirma o papel da URI como protagonista na formação em saúde no interior do Rio Grande do Sul. O resultado evidencia a capacidade da instituição de produzir projetos com relevância nacional e internacional, sustentados por pesquisa, articulação institucional e compromisso pedagógico.
A vivência contará com 30 viventes, 3 facilitadores e 6 dias de atividades intensivas, entre 8 e 13 de fevereiro de 2026. A URI disponibilizará hospedagem nas dependências da instituição, transporte interno para os deslocamentos e os espaços acadêmicos necessários para o desenvolvimento das atividades formativas, garantindo a estrutura essencial para o funcionamento pleno da vivência. A alimentação será assegurada por meio do orçamento previsto no edital da Rede Unida, reforçando o compromisso nacional com a qualificação da formação em saúde.
Em complemento, a administração municipal de Santiago — principalmente por meio da Secretaria Municipal de Saúde — ofertará contrapartidas fundamentais para a realização da vivência, incluindo o apoio logístico à circulação das equipes nos territórios, a articulação direta com todos os serviços da rede de atenção à saúde e o suporte das equipes técnicas durante as atividades. Esse engajamento municipal também garantirá que participantes tenham acesso ampliado aos cenários reais de cuidado, fortalecendo a integração ensino-serviço e permitindo vivências significativas nos diferentes níveis de atenção do SUS.
A aprovação da vivência representa mais do que uma conquista institucional: é a reafirmação do compromisso da URI com uma formação crítica, humanizada e alinhada aos princípios do SUS. Marca, ainda, a força da articulação entre ensino, serviço e comunidade, e reforça o potencial transformador da educação pela prática e pela presença ativa nos territórios.