Aconteceu entre os dias 25 e 28 de agosto, a XIX Semana Acadêmica de Psicologia da Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões (URI) Câmpus de Santiago. O evento trouxe para dentro da instituição não apenas palestras, mas choques de perspectivas, encontros entre teoria, prática, ciência e experiência.
Com o tema “Transversalidade nos saberes da Psicologia” a escolha já sinalizava o espírito do evento: não se tratava de um desfile de currículos, mas de um convite a atravessar fronteiras, a testar as costuras entre diferentes modos de compreender o humano.
No primeiro dia Luciéli Sodré, docente e egressa da própria URI, ao lado da pesquisadora Julieta Jerusalinsky (que participou online), discutiram os dilemas da clínica na primeiríssima infância. O princípio orientador: como intervir cedo sem patologizar? Uma conversa sobre os diagnósticos rápidos e o tempo lento da infância.
O segundo dia trouxe a terapia com cavalos para dentro da Psicologia. Na palestra sobre equoterapia, a egressa Luiza Stacowski, Márcia Colpo e a fisioterapeuta Aline Buchvaitz narraram experiências em que o vínculo entre humano e animal se converte em ferramenta terapêutica.
- São diversas formas de terapia assistida com animais. É um método alternativo que tem sido utilizado há mais de um milênio no tratamento de condições psicológicas e psicossociais, deficiências médicas e físicas, e como ferramenta de apoio emocional -, explicou Luiza Stacowski.
Já no terceiro dia, os muros das prisões foram o tema da fala de Michele Beltrão e Alice Leonardi que falaram de um campo onde a Psicologia se confronta com a violência, a exclusão e o silêncio institucionalizado. A comunicação não violenta apareceu como possibilidade de mediação, de escuta ativa em lugares onde a fala costuma ser interditada.
O último dia abriu espaço para a complexidade dos transtornos do neurodesenvolvimento. A Prof. da URI Marisângela Spolaôr e o egresso Otávio Betin defenderam um olhar multiprofissional, onde nenhuma disciplina dá conta sozinha do diagnóstico ou da intervenção. Otávio apresentou, também, a clínica multidisciplinar de especialidades para atendimento do Transtorno do Espectro Autista (TEA), o TEAcolhe, que é um programa de atendimento às necessidades específicas das pessoas com autismo, que visa o desenvolvimento pessoal, à inclusão social, à cidadania e ao apoio às suas famílias.
Entre as conferências, houve momentos de pausa. O que também faz parte da aprendizagem: a música acústica do Professor Tiago Mucenecki preencheu o auditório com um respiro sonoro, e o coffee break se transformou em espaço de conversa informal, onde as ideias e alegria circularam livremente.
Um ponto importante é a participação dos acadêmicos:
- Pensamos os temas das palestras com muito carinho, os quais não são muito frequentemente vistos na nossa formação, nesse sentido, poderíamos ter uma pincelada mais concreta da realidade cotidiana destes temas, trocando experiências entre acadêmicos, palestrantes e o pessoal já graduado. Poder ter experiências como essa contribui muito para nossa formação e para sermos profissionais melhores. -, destacou Luisa Kerber Grutzmacher.
Além de um ciclo de palestras, a Semana Acadêmica funcionou como um ensaio para o futuro, onde os acadêmicos não foram plateia passiva; interrogaram, provocaram, participaram. Cada pergunta lançada ao microfone era também um exercício para pensar enquanto futuros psicólogos, desafiando especialistas e, ao mesmo tempo, sendo desafiados por eles.
No fim, o saldo não se mede apenas em horas de programação ou currículos de palestrantes, mas sim na densidade dos debates. A XIX Semana Acadêmica de Psicologia mostrou que o conhecimento não é apenas acúmulo, é travessia, é diálogo, é a coragem de olhar o humano de frente.
A URI como instituição de ensino empenhada na produção de conhecimento científico, na construção do pensamento crítico e pela formação integral de seus acadêmicos, parabeniza o Curso de Psicologia pela excelência do evento.