O Salão de Atos da Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e da Missões (URI) Câmpus de Santiago se transformou em um espaço de reflexão na noite da última quinta-feira, (30), com a apresentação da peça teatral “MARIAS”, espetáculo que foi contemplado pelo edital PNAB Santiago 002/2025 | Ações Culturais / Teatro, da Secretaria de Turismo e Cultura da Prefeitura de Santiago, abordou de forma sensível e contundente a temática da violência contra as mulheres.
“MARIAS”, espetáculo encenado pela companhia Dom de Semblantes, rompeu a quietude para dar corpo e voz ao que tantas mulheres vivem em segredo. Dirigida por Ângela Maria Genro, com produção de Pablo Damian, sonoplastia de Douglas Camargo e iluminação de Marcus Polga, a peça nasce da urgência de nomear o que ainda é sussurrado: a violência contra as mulheres.
O evento foi organizado pela turma do 8º semestre do Curso de Psicologia, sob orientação da Professora Rosângela Montagner.
Ao final da encenação, a palavra voltou ao público. Um debate se abriu e foi conduzido pelo delegado Guilherme Milan Antunes, Professor da URI e especialista em Direito Penal, e pela Professora Rosângela Montagner, coordenadora do GAPERG (Grupo de Acolhimento, Assessoria, Pesquisa e Estudo das Relações de Gênero); e do Ateliê Miguelina, espaços de acolhimento e empoderamento de mulheres vítimas de violência.
O público sentiu o peso das palavras antes mesmo de compreender a história. E é justamente aí que mora a força do teatro, ele não explica, ele nos faz sentir.
De acordo com dados divulgados pelo Ministério das Mulheres, o canal Ligue 180 registrou, apenas entre janeiro e julho de 2025, 594.118 atendimentos e 86.025 denúncias de violência contra mulheres, um aumento de quase 3% em relação ao mesmo período do ano anterior.
A maior parte das agressões ocorre dentro da casa da vítima (40,7%), e 47,6% dos agressores são companheiros ou ex-companheiros. A violência física ainda é a mais frequente, representando 41,4% dos casos, seguida da psicológica (27,9%) e da sexual (3,6%).
Os números falam alto, mas as vozes ainda tremem.
A peça “MARIAS” não ofereceu respostas prontas, mas convocou o olhar. Expos o medo de denunciar, o ciclo da dependência, o cansaço de quem insiste em resistir. E, entre uma fala e outra, surge algo que desafia o desespero: a possibilidade de voz.
Com o som metálico ecoando e as luzes diminuindo lentamente, o público deixou o Salão de Atos em silêncio. Um silêncio reflexivo, que carrega a urgência do tema e o peso das histórias que ainda precisam ser contadas.
E assim, a URI Santiago, por meio do Curso de Psicologia, se coloca como um instrumento para ações voltadas à defesa dos direitos humanos e à equidade de gênero. Projetos como o Ateliê Miguelina e o GAPERG atuam no acolhimento de mulheres vítimas de violência, oferecendo escuta qualificada e apoio jurídico, psicológico e social.