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Curso de Biomedicina da URI realiza ação solidária de Natal

17/12/2025 12h23
No dia 24 de dezembro, o Beco da Alegria se transforma em abrigo de luz, amizade e partilha
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O espaço recebe crianças em turno oposto ao escolar. Crédito Imagem./ Ana Paula Ribas Kemerich

Há lugares que não aparecem no mapa, mas insistem em existir no coração da nossa cidade. O Beco da Alegria é um desses endereços invisíveis para quem passa apressado, mas absolutamente concreto para quem aprende ali que infância também é um direito.

Sidney Girelli, responsável pelo projeto, lembra como quem folheia um álbum antigo. Vinte e dois anos atrás, havia apenas um espaço improvisado, uma criançada jogando bola, o barulho típico de quem ainda não aprendeu a silenciar os sonhos. Depois, como acontece com o tempo, eles cresceram e ada um seguiu para um lado, mas a alegria, essa, resolveu ficar.

Foi vendo a festa dos outros, a felicidade das crianças, que o gesto simples se transformou em compromisso. Começou com cinco, depois dez e hoje são muitos. O Beco foi ganhando bancos, uma pracinha, árvores plantadas pelas próprias mãos da família. Um espaço que nasceu do improviso e cresceu na persistência. Hoje, são mais de 80 crianças que encontram ali algo que nem sempre cabe em palavras: pertencimento. 

  - Então, uma criança foi dizendo para as outras sobre o Beco, do projeto. E hoje nós temos mais de 80 crianças -, conta com entusiasmo o Sr. Girelli.

O projeto não tem grandes patrocinadores, não se apoia em siglas. É voluntário, particular, quase artesanal. Sidney, o filho e a filha mais nova. Três pessoas sustentando um sonho coletivo. Talvez por isso seja tão verdadeiro.

O nome não foi estratégia e sim constatação. Deixou de ser apenas beco e passou a trazer alegria. E quando algo é batizado com verdade, cria raízes. No Natal, especialmente no dia 24, a partir das 17h, a rua se transformará, pois haverá festa, risos e olhos atentos. E depois, ao final da noite os brinquedos seguiram para as casas levados por um Papai Noel que conhece bem o caminho da solidariedade.

O Beco da Alegria é falado na cidade de Santiago porque é visto. Está nos olhos da comunidade, no reconhecimento silencioso de quem sabe que o trabalho honesto não precisa de palco. Precisa de constância.

Neste ano, a história ganhou novos personagens. O curso de Biomedicina da Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões (URI) Câmpus de Santiago se aproximou, estendeu a mão e multiplicou gestos. Os acadêmicos se mobilizaram, arrecadaram brinquedos e transformaram a empatia em ação que, em apenas uma semana, arrecadou 89 brinquedos que terão destino certo: as mãos pequenas de quem ainda acredita.

Para a coordenadora do Curso, Professora Márcia Rosso, a campanha foi mais do que solidária,  foi formativa:

- O curso de Biomedicina forma profissionais éticos, competentes, inseridos na sua comunidade e essa ação demonstrou nossa solidariedade e exercitou a empatia -, destacou Profa. Márcia Rosso.

O Beco segue. Quase 23 anos. Quer continuar. Quer medalhas futuras para os participantes, como diz Sidney, mas principalmente quer crianças com histórias menos duras. E segue aberto para doações a quem sentir no coração: brinquedos usados, doces, alimentos, qualquer gesto que chegue com respeito.

O Beco da Alegria é fruto das condições que o atravessaram. Cresceu como pode,  sustentado pela simplicidade e pelo encontro. Mas lugares assim não se encerram em si: eles pedem colaboração de todos, porque sabem que só crescem de verdade quando são construídos juntos.

 

Fonte: Ana Paula Ribas Kemerich - NUCOM
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