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Entre altas e quedas, alimentação segue pesando no orçamento das famílias santiaguenses

09/04/2026 14h40
Levantamento feito pelo Curso de Administração da URI Santiago indica aumento de 0,07% na cesta básica.
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Aumento concentrado em alimentos básicos intensifica o impacto no custo de vida da população. / Crédito: Internet.

Os dados, levantados por Isadora Pretto Reis, bolsista do Programa Institucional de Iniciação Científica (PIIC/URI), sob orientação do professor Marcos Vinicios M. Machado, do curso de Administração da Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões (URI), Câmpus Santiago, mostram que a cesta de alimentos analisada registrou aumento de R$ 738,03 em fevereiro para R$ 743,23 em março, uma alta de 0,7%. Embora o avanço pareça moderado, ele impacta diretamente o orçamento por atingir itens essenciais e de difícil substituição, como arroz, feijão, leite, batata inglesa, tomate e banana. 

No comparativo nacional, o valor local ficou abaixo de Porto Alegre (R$ 799,79) e de São Paulo, onde está a cesta mais cara do país (R$ 883,94), mas acima de Aracaju, que apresenta o menor custo (R$ 598,45). O cenário indica que, apesar da variação mensal contida, o nível de preços permanece elevado e acompanha a pressão observada em todas as capitais ao longo de março.

Alguns produtos tiveram aumentos expressivos, como a batata inglesa (+30,3%), o leite (+22,3%), o tomate (+17,1%) e a farinha de trigo (+17,9%). Esses itens fazem parte da base da alimentação diária e têm grande peso no orçamento familiar. Em contrapartida, houve queda nos preços de produtos como carne (-6,15%), café (-9,7%), pão francês (-4,8%) e óleo (-4,9%), o que contribuiu para conter uma elevação ainda maior da cesta. Ainda assim, esse alívio foi parcial e insuficiente para compensar a alta dos alimentos essenciais.

Comparação com o salário mínimo

O salário mínimo nacional vigente em 2026 é de R$ 1.621,00. Ao relacionar esse valor com o custo da cesta, observa-se que:

  • Em fevereiro, a cesta correspondia a 45,5% do salário mínimo;
  • Em março, esse percentual subiu para 45,9%.

Na prática, isso significa que quase metade da renda mensal de um trabalhador que recebe o piso nacional é destinada apenas à alimentação. Em termos de tempo, são cerca de 14 dias de trabalho por mês dedicados exclusivamente à compra de alimentos básicos.

Essa relação evidencia uma contradição estrutural: mesmo com o reajuste anual do salário mínimo, o aumento frequente dos preços dos alimentos tende a reduzir rapidamente o ganho real, já que os salários não acompanham a mesma dinâmica de reajuste.

Impacto para uma família de quatro pessoas

O cenário se torna ainda mais desafiador ao projetar o custo da alimentação para uma família de quatro pessoas. Considerando, de forma conservadora, que a cesta analisada represente o consumo médio mensal de um adulto, o gasto familiar com alimentação em março de 2026 chega a aproximadamente R$ 2.972,92.

Assim, mesmo com uma variação mensal relativamente moderada, o aumento concentrado em itens essenciais provoca impactos significativos no orçamento. A elevada parcela da renda comprometida com alimentação reforça a fragilidade do poder de compra do salário mínimo frente ao custo de vida local.

Fonte: Andressa Marin com informações do Curso de Administração
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