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Formando celebra ancestralidade sendo o primeiro da URI Santiago a utilizar Beca verde e vermelha em Colação de Grau

26/02/2026 17h06
O novo Bacharel em Direito levou símbolos da Umbanda à colação de grau trazendo a importância do debate sobre diversidade religiosa ao ambiente universitário
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As cores escolhidas são uma homenagem ao Orixá do Bacharel. Crédito Imagem./ Ana Paula R. Kemerich

A cerimônia de colação de grau do Curso Vespertino de Direito, da Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões (URI) Câmpus de Santiago realizada no dia (31) de janeiro, foi marcada por um momento de significativo valor simbólico. O formando Edson Ildefonso dos Santos Prestes optou por vestir, durante a solenidade a beca nas cores vermelho e verde, em homenagem ao seu Orixá, Ogum, conferindo à conquista acadêmica dimensão espiritual  e a expressão de sua fé e ancestralidade.

Para o egresso, a escolha esteve associada ao caráter sagrado que atribui à formação superior e à trajetória construída ao longo dos anos de estudo.

- Daquele instante tão importante, também foi uma oportunidade de mostrar que a nossa Umbanda Sagrada e a nossa espiritualidade são belas, são força, são fé e são amor. São caminhos de luz que acolhem, orientam e fortalecem, - destacou Edson.

Diferentemente da tradicional beca preta, as cores vermelho e verde simbolizam Ogum Orixá associado à força, à coragem e à abertura de caminhos considerado por ele como guia espiritual. 

Umbanda: relevância histórica e dimensão social

Religião brasileira estruturada a partir da convergência de matrizes africanas, indígenas, católicas e espíritas, a Umbanda teve seu marco inicial em 1908, com a manifestação do Caboclo das Sete Encruzilhadas por meio de Zélio Fernandino de Moraes, no município de Niterói.

A Umbanda tem como fundamentos a caridade, o acolhimento e a prática do bem. Em seus espaços religiosos, pessoas de diferentes origens encontram amparo espiritual, emocional e social.

- Nossa casa religiosa não discrimina ninguém. Está sempre de portas abertas, independentemente de classe social, cor ou crença. A missão da Umbanda se cumpre na caridade, ajudando todo aquele que precisa, sem julgamentos, com humildade e amor ao próximo, - explicou o novo Bacharel em Direito.

Embora possua relevante contribuição histórica e social para o país, a Umbanda  assim como outras religiões de matriz africana ainda enfrenta situações de preconceito e intolerância religiosa.

A escolha de Edison também dialoga com o princípio constitucional da laicidade do Estado brasileiro, que assegura a liberdade religiosa e a convivência respeitosa entre diferentes tradições de fé.

A Prof.(a) Fabiana Barcelos da Silva Cardoso Coordenadora do Curso de Direito da URI Santiago e Presidente do Conselho Municipal de Promoção da Igualdade Étnico-Racial (o COMPIER) explica que o tradicional momento da formatura é conhecido pela vestimenta preta somado às cores do curso do formando.

O traje completo inclui a beca, o capelo (chapéu, com origem em status acadêmico medieval) e a faixa, com o uso da faixa e pingente no lado esquerdo após a colação de grau simbolizando o novo status profissional. Esta adequação de traje social (toga ou beca) nas formaturas remonta à Europa medieval, em especial ao século XIII na França, onde universidades adotaram trajes inspirados em vestes de clérigos e estudiosos. 

Porém, é necessário compreender que cores que são usuais por grande parte das pessoas, em algumas religiões, possuem especial significado. Assim, respeitar outras heranças além das eurocêntricas é efetivar o respeito á diversidade e o senso de pensamento decolonial, necessário na Universidade.

- Obviamente, a URI, por seus princípios e visão, não se furtaria de efetivar este direito consagrando neste ato, o primeiro formando com vestes religiosas de matriz africana em suas colações, complementou a Prof.(a) Fabiana.

A decisão de utilizar a vestimenta religiosa partiu do desejo do formando honrar sua espiritualidade, mas também assumiu dimensão simbólica de afirmação cultural.

- Fiz isso pensando no respeito à minha religião, mas também com o propósito de mostrar que, independentemente do lugar ou do momento, ali eu estava manifestando e valorizando uma religião de matriz africana, - complementou  Edson.

A escolha por essa forma de Colação de Grau foi construída de forma dialogada, de modo que que o então, acadêmico apresentou a proposta à turma, que deliberou de maneira favorável. 

Durante o culto ecumênico que antecedeu a colação, representantes de distintas tradições religiosas participaram do momento de bênção e reflexão. O formando também representou sua espiritualidade na ocasião.

Nas palavras de Edson a URI como instituição de ensino e de formação de cidadãos, cumpre seu papel educador, promovendo o respeito, a diversidade e a liberdade religiosa estimulando a convivência plural.

Para além de uma dimensão meramente estética as cores vermelho e verde assumiram caráter simbólico-jurídico de afirmação identitária e de reconhecimento das matrizes culturais que permeiam a trajetória acadêmica. Nessa perspectiva, a manifestação de pertencimento e convicção religiosa insere-se no âmbito dos direitos fundamentais, especialmente aqueles relacionados à liberdade de consciência e de crença, não podendo ser dissociada da experiência formativa vivenciada no espaço educacional.

A URI Santiago parabeniza o Bacharel pelo protagonismo na ocupação de espaços institucionais, e por sua contribuição ao debate público acerca da promoção de uma cultura acadêmica orientada para o respeito às diferenças e  pela garantia de direitos fundamentais e pela valorização da pluralidade de crenças no âmbito universitário.

 

Fonte: Ana Paula R. Kemerich - Núcleo de Comunicação
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