Acadêmicos dos 3º, 5º e 7º semestres do Curso de Psicologia da Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões (URI) Câmpus de Santiago participaram de uma visita à exposição fotográfica “Invisibilidade do Trabalho”, realizada no Espaço Strazzabosco. A atividade ocorreu no dia 25 de maio, em um momento de reflexão sobre subjetividade, sofrimento psíquico, reconhecimento social e as diferentes realidades presentes no cotidiano do trabalho.
A ação foi organizada pelos Professores Camilla Baldicera Biazus, Izaque Ribeiro e Luciéli Sodré de Moura, com o objetivo de aproximar os estudantes de experiências para além dos espaços tradicionais da sala de aula. A proposta buscou integrar formação acadêmica, arte e questões humanas, ampliando o olhar dos futuros profissionais da Psicologia sobre temas sociais presentes no cotidiano.
A exposição reúne fotografias que retratam trabalhadores muitas vezes invisibilizados socialmente — pessoas que sustentam, de forma silenciosa, o funcionamento das cidades e da sociedade por meio de atividades que frequentemente passam despercebidas na rotina. As imagens apresentam sujeitos atravessados pelo cansaço, pela pressa, pela sobrecarga e pelas marcas físicas e emocionais do trabalho, mas também revelam resistência, humanidade e singularidade.
Entre os destaques da mostra esteve a participação da fotógrafa Ana Girardi, acadêmica do 3º semestre do Curso de Psicologia e uma das artistas convidadas da exposição. Sua presença no projeto reforça a relação entre arte e Psicologia, evidenciando a fotografia como ferramenta de expressão, sensibilidade e construção de olhar dentro da própria formação acadêmica.
Durante a visita, os estudantes participaram de uma roda de conversa com Rodrigo Knierim da Rosa, produtor da exposição e também fotógrafo participante do projeto. O encontro possibilitou reflexões sobre os processos de criação das imagens, as histórias presentes em cada fotografia e os diferentes contextos de trabalho retratados pela mostra.
A docente e psicóloga do Curso de Psicologia, Dra. Camilla Baldicera Biazus, também participou da construção da mostra por meio da escrita do texto de apresentação da exposição, no qual destaca:
- As vidas registradas aqui, pelo olhar sensível de quem as captura, revelam a marca da indiferença, da invisibilidade e, muitas vezes, de um não reconhecimento. Neste contexto, a fotografia parece funcionar como uma seleta, uma composição de fragmentos de corpos, vidas, histórias... instantes em que o sujeito não se resume mais à função que exerce, pois lhe é devolvido algo de sua singularidade -, ressalta a Profa. Camilla Biazus.
A proposta da atividade também buscou discutir como a arte pode atuar como um dispositivo de visibilidade social, interrompendo a naturalização da invisibilidade de determinados trabalhadores. Ao transformar esses sujeitos em imagem, a fotografia convida o público a olhar para histórias que frequentemente permanecem à margem da atenção coletiva.
Segundo os organizadores, experiências como essa contribuem para uma formação mais sensível e humanizada, permitindo que os acadêmicos compreendam a importância de reconhecer o sujeito para além da produtividade e das funções exercidas no cotidiano.
A visita reforçou, ainda, a importância da arte e da cultura como ferramentas de sensibilização dentro da Psicologia, possibilitando aos estudantes refletirem sobre sofrimento, subjetividade, relações de trabalho e reconhecimento social. Mais do que registrar cenas do cotidiano, a exposição propõe um exercício ético de olhar, cuidado e escuta sobre sujeitos que, muitas vezes, permanecem invisíveis, apesar de desempenharem funções essenciais para a sociedade.